April 11, 2010 rafael One Comment
O que é educação para você? Para mim antes de tudo é prazer.
Claro que existe aquela vontade lá no fundo de ficar milionário, mas penso que mesmo se eu fosse um cara decrépito de rico ainda continuaria a estudar.
Mas não é assim para todos. Muitos estudam por obrigação e outros pelos benefícios que determinado conhecimento pode trazer. Cada vez mais eu vejo gente que eu conheço (de várias classes sociais) dando mais e mais importância para o estudo. Não posso falar por todos, mas no meu universo acontece assim:
- Se você estuda, você ganha mais.
O problema é que nem todos tem a oportunidade de estudar, ou quando tem, não é com a mesma qualidade de ensino ou o incentivo para continuar.
Eu tenho um exemplo pra justificar esse argumento, mas ele é extremamente pessoal e vem de minha própria família. É a história de duas Marias.
A primeira Maria é neta de italianos e seu pai, assim como seu avô, nunca tiveram nada na vida. A família chegou com as mãos abanando no Brasil por volta de 1890 e permaneceu assim por muito tempo. Maria e seus nove irmãos chegaram a morar em barracões durante a infância e nunca tiveram educação além daquela fornecida pelo governo. Seus
cadernos eram feitos de sacos de pão, que reunidos e amarrados com um barbante serviam a seu propósito. Ainda durante a infância vendeu frutas na rua com um carrinho-de-mão até que conseguiu um emprego como doméstica.
Esse emprego era na casa de uma família que sempre levou a sério os estudos. A Maria acabou se entusiasmando com isso e foi muito cobrada por seus chefes a concluir seus estudos e a não parar nunca. Maria se tornou professora e depois diretora de escola, cargo que ocupou até sua aposentadoria. Teve cinco filhos, dos quais quatro têm pelo menos um diploma universitário.
A segunda Maria nasceu no interior de Minas Gerais, aproximadamente na mesma época da primeira, numa cidade afastada de tudo e de todos. A segunda Maria teve uma infância tão sofrida quanto a da primeira, talvez até pior, e passou por muitos percalços durante toda a vida. Mas a principal diferença é que ela não teve apoio ou alguma oportunidade real para estudar durante a juventude.
Por isso, Maria sofreu durante toda a vida trabalhando muito e ganhando pouco. Mas a segunda Maria aprendeu a duras custas o preço pela falta de estudo e já na idade adulta voltou à escola e concluiu o segundo grau.
A segunda Maria entendeu que investir na educação de seus filhos é o maior bem que se pode fazer por eles. Hoje, uma de suas filhas é universitária de medicina na UFPR.
A educação além de proporcionar melhores salários proporciona uma visão ampla do mundo. As possibilidades se multiplicam, as chances de sucesso aumentam e com certeza a felicidade também se torna um objetivo mais atingível.
Então é fácil de imaginar porque tantas famílias se esforçam tanto para dar boa educação aos seus filhos. É um investimento no futuro deles, e por tabela em seu futuro também.
Imagine só o impacto positivo que um incentivo teve na vida da primeira Maria. Imagine agora isso aplicado a uma nação.
O oitavo princípio da economia, O padrão de vida de um país depende de sua capacidade de produzir bens e serviços, se encaixa muito bem aqui.
Esse princípio diz basicamente que o pais é rico se tem alto nível de produtividade, que pode ser considerada como fruto da sociedade, suas ferramentas, métodos, tecnologia e sistemas. Ora, e como melhoramos isso? Em minha opinião é com educação.
Se a melhoria da produtividade e a conseqüente melhora no bem estar de uma população está relacionada a educação de um país o governo não só deveria disponibilizar escolas de qualidade mas também deveria incentivar muito mais o estudo, talvez até pagar para que você estude mais! O retorno viria em melhores tecnologias, processos e bem estar!
Além disso, o governo deveria incentivar a pesquisa e o desenvolvimento, a inovação e a constante melhora no sistema de ensino. Mas como sabemos – isso não acontece.
Pesquisando sobre o assunto na internet, achei um trecho interessante de um discurso do Sen. Cristovam Buarque do PDT:
“Todas as crianças precisam ter a mesma chance. Elas não podem ser discriminadas só porque nasceram em uma cidade muito pequena ou porque os pais são pobres e vivem em uma área de periferia. Elas devem ter a chance de estudar em escolas que são iguais às melhores escolas do país. Todas as escolas devem ter o mesmo padrão. Todos os professores e professoras devem ser formados(as) em universidades e cursos com a mesma qualidade. Isso é possível. Se você vai em uma agência do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal, em qualquer cidade do Brasil, o padrão de atendimento e de serviço é o mesmo; são instituições que mostram que o Estado brasileiro tem capacidade de gerar organizações que funcionam. Assim deveria ser também com as escolas. Professores e professoras bem remunerados(as), com meios de trabalho e ambiente adequados. Livros, currículo, computadores, tudo para ajudar a ter o mesmo padrão e a formar as crianças oferecendo-lhes a mesma chance. Os(as) professores(as) devem ter seus salários pagos pelo governo federal, seguindo um plano nacional de educação de qualidade e a escola gerenciada pela prefeitura e pela comunidade, aberta à participação dos pais, das mães e de toda a comunidade.” Cristovam Buarque, em debate no plenário do Senado Federal, 10/8/2007
O trecho pode ser encontrado aqui.
Na teoria é muito bonito e gostaria muito de ver isso sendo realmente aplicado no Brasil, mas me pergunto se não é do interesse de muitos a permanência do Brasil nesse status quo que só favorece quem já é favorecido… Pois atualmente, a coisa está muita feia.
Fonte das imagens: